
A sociedade de parceria entre homens e mulheres foi mutilada quando, por volta do sexto milênio a. C., o homem descobriu que participava da procriação. Ocorreu, portanto, uma profunda modificação nas relações humanas. Ele passou a dominar e oprimir tanto as mulheres, que temia um ataque sorrateiro delas. Desconfiados, se inquietavam com seus mistérios. Mas o que os assustava mais do que tudo eram os segredos do órgão sexual feminino.
Pressentiam um perigo ameaçador, porque a vagina não é visível e suas propriedades são estranhas. Imaginavam que ela teria uma força devoradora e insaciável, que seria uma caverna escura, onde o pênis do homem, após penetrá-la, corria sérios riscos.
Foi por isso que durante séculos os homens alimentaram a idéia de que as mulheres eram incapazes de se sentir satisfeitas no sexo. E para se proteger, eles as trancavam em casa ou, como se faz ainda hoje em vários lugares, extirpavam seu clitóris, costuravam sua vagina e as obrigavam a sair à rua cobertas por véus. Buscavam, assim, se livrar da tentação. Hoje, as coisas mudaram, pelo menos no Ocidente. Aceita-se cada vez mais que sexo é para o prazer e não somente para procriar. E para isso é necessário um processo de aprendizagem.
Orgasmos múltiplos da mulher, orgasmo vaginal, ponto G, ejaculação feminina, orgasmo combinado (ponto G e clitóris ao mesmo tempo), orgasmo múltiplo do homem, orgasmo masculino sem ejaculação, orgasmo na próstata. Quanta coisa para se aprender! Mas existe algo de que a vagina é capaz e pouca gente sabe. Ela pode pompoar.
No dicionário Michaelis encontramos a definição de pompoar: contração voluntária dos músculos circunvaginais, a fim de induzir sensações eróticas no pênis, durante o ato sexual. Tal prática prolonga e intensifica o prazer sexual. Pelos relatos de quem viveu essa experiência, uma pompoarista tem vários orgasmos intensos e leva seu parceiro, através da massagem que sua vagina faz no pênis, a obter sensações de prazer indescritíveis.
Constitui uma prática comum na Tailândia. Mas existem filmes e documentários mostrando pompoaristas em atividade em várias partes do mundo. No documentário chinês Os últimos tabus, uma mulher aparece fumando pela vagina, no filme japonês O império dos sentidos, a mulher introduz um ovo cozido, que depois é expelido e comido, e no filme australiano Priscilla- a rainha do deserto, bolas de pingue pongue são disparadas pela vagina.
Já existem professoras no Brasil que pompoarizam suas alunas, ou seja, as preparam para a prática eficiente do pompoar. Isso é feito de várias maneiras. Uma delas é usando pepinos; as mulheres aprendem, após algum tempo, a sugá-los com a vagina e depois arremessá-los a distância num único movimento O Jornal das Pompoaristas recomenda ter ao lado uma fita métrica para registrar o fortalecimento diário dos músculos circunvaginais. Outro exercício é ficar de pé, com as pernas abertas diante do espelho, e fazer o pepino sair e entrar novamente, várias vezes seguidas, apenas utilizando esses músculos.
Para os sexólogos não é novidade a importância do fortalecimento dos músculos vaginais e suas contrações para o orgasmo feminino e para intensificar o prazer do homem. A questão são os tabus e preconceitos que ainda existem a respeito do sexo, dificultando que se discuta com naturalidade o assunto.
De qualquer modo, ao tomar conhecimento do que faz uma pompoarista, fica mais fácil entender por que os homens se sentiam tão intimidados diante da sexualidade feminina. Quem sabe, agora, quando diminui a guerra entre os sexos, e homens e mulheres caminham para uma sociedade de maior parceria, novos prazeres também possam ser compartilhados?
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